Byod: como convencer o funcionário a emprestar seu dispositivo para a empresa

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É preciso que o colaborador tenha uma vantagem com a proposta. O melhor dos mundos: unir economia a produtividade e experiência do usuário

Por Vinícius Boemeke

Fala-se muito sobre os benefícios de políticas de Bring Your Own Device (Byod) para a empresa: redução de custos, melhora da produtividade e satisfação do usuário. Mas, se olharmos pela ótica do funcionário, a proposta não parece muito vantajosa, na maioria das vezes: afinal, ele empresta seu dispositivo, algo totalmente pessoal e adquirido com o seu dinheiro, para uso da empresa.

Entenda como mobilidade e o movimento de Bring Your Own Device (Byod) estão efetivamente inseridos nas companhias: baixe o estudo “BYOD no Brasil: adoção, gestão e desafios na visão dos líderes de TI” (link no fim do texto)

A primeira coisa que o CIO deve ter em mente: para que o Byod se torne uma realidade, é importante que melhore a experiência do usuário. Projetos devem estar ligados à estratégia de negócio, e isso obviamente não deve ser deixado de lado, mas de nada adianta olhar o que a empresa quer e ignorar o que o funcionário, peça-chave para esses objetivos serem atingidos, deseja e demanda. Acima de tudo, é preciso responder a uma potencial questão do colaborador: “o que eu ganho com isso?” Se ele vai levar seu smartphone ou tablet para o ambiente corporativo, é importante que haja um ganho de produtividade. Quanto a isso, não há discussão.

Vale citar que o uso do aparelho no ambiente corporativo embute uma depreciação do valor do bem. Em alguns casos que vi fora do Brasil – por aqui, não conheci nada parecido – a companhia paga um valor de aluguel, o equivalente entre R$ 50 e R$ 100 por mês, pelo empréstimo. Um estímulo adicional.

Também deve ficar bem claro quem paga a conta: ela ficará toda a cargo da empresa, será dividida entre os dois ou o usuário deve pedir reembolso pelo que foi gasto com ligações? E quanto ao plano de dados? Tudo isso deve estar acordado e é importante que ninguém saia prejudicado (o combinado não sai caro). Já vemos, inclusive, fornecedores se preparando para atender a essa demanda, como é o caso de uma versão do Android customizada pela Samsung e apresentada no início deste ano, durante o Mobile World Congress: o sistema consegue identificar o que é acesso pessoal e o que é corporativo, seja em termos de consumo de dados ou de ligações telefônicas, e garante que a conta de cada um deles seja separada.

Pedir que o funcionário mude seu número para garantir o plano ou operadora de preferência da empresa dificilmente será uma alternativa justa. É preciso que a companhia tenha flexibilidade e evite impactos na rotina do usuário.

Quando falamos em Byod, é imprescindível haver uma ferramenta de gestão que dê conta da integridade dos dados e gestão remota dos aparelhos. Mas isso não pode abrir brechas para violação de privacidade do usuário: o aparelho é dele e as informações pessoais que ali estão devem ser mantidas em sigilo e totalmente apartadas do acesso dos administradores. A ferramenta de MDM (Mobile Device Management, ou gestão de dispositivos móveis), deve garantir a conteinerização e restringir o acesso da gestão somente às informações corporativas.

Por fim, vale o bom senso: o aparelho é do usuário e não é porque ele o abriu para a empresa que estará disponível fora do horário de trabalho. É preciso garantir que sua paz, tranquilidade e descanso não sejam violados, e que a atividade mais complexa que ele fizer com o aparelho aos fins de semana seja jogar Candy Crush.

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